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"Um nanoconto? É sério mesmo? Esperava uma novela". Considerou seriamente mudar de musa inspiradora.

Gabrielle vive distribuindo sorrisos gratuitamente. Isso após o formidável trabalho do ortodontista.

Adorava presentear em datas especiais. Até contrair uma dívida milionária no "Dia do amigo" de 1978.

CLASSIFICADO: "Procuro Eva, amor infantil. Última vez vista: na rodoviária, chorando minha partida."

Madrugada. Desceu as escadas devagar. Luz acesa. Susto. Um rosto quase esquecido. Lágrimas. Abraços.

Caiu uma... e outra, e outras. Caíram várias. Um tapete grosso e macio se formou. Outono chegando...

Na cama, ela o afagava com segundas intenções. "Qual é o segredo de sua força, Sansão?". "Neutrox!".

Foi um pedido singelo; ele jamais se esqueceu. Entre as mãos frias dela, colocou uma orquídea lilás.

No ônibus, o menino sorriu. "Qué?". Foi a mais doce pipoca que aquele velho triste saboreou na vida.

Jogou uma pedra no rio. Ela quicou. Formou círculos na água. Não adiantava chamar, a Iara não viria.

Abriu o livro e encontrou uma pétala de rosa: seca. Os olhos verteram uma lágrima: molhada. Saudade.

Comprou um teste de gravidez com o dinheiro da mesada. Em casa, o resultado: família desestruturada.

Os olhos deles brilharam: curiosidade pelo brinquedo do pai. Um apertou o gatilho; acertou o outro.

Jornada: seis dias de trabalho por um de repouso. Concluiu o mundo, mas jurou não persistir no erro.

O mais belo som que já ouvira. Nove meses de ansiedade e finalmente estava ouvindo a música da vida.

Ela o amava, mas teve de matá-lo. Estava velho, cego, manco e mal conseguia usar sua caixa de areia.