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Matou aulas a vida toda. Descobriu tardiamente que pagaria por esses crimes na prisão do subemprego.

Na polícia, as perguntas. Se pudesse voltar atrás, não teria se casado com ele e com suas confusões.

Assistia a um seriado sobre serial killers na tevê todas as quintas. Na sexta, aí a estrela era ele.

Na calçada, fez o sinal da cruz e pediu forças. Depois baixou o capuz, puxou a arma e foi trabalhar.

Acabou com um longo casamento por uma garota. Denunciou a esposa. Nunca mais ela espancaria a filha.

Viu pelo vidro do carro um homem apanhando. Apiedou-se. Mas a barreira de vidro o impedia de ajudar.

Seria um sequestro, mas se tornou um parto. Um bandido parteiro, uma mãe feliz, uma criança chorona.

Quis roubar um beijo. Ela virou o rosto; depois sorriu e concedeu um selinho. Criminoso reabilitado.

Para alguns, era só uma alavanca que ligava eletricidade; para outros, era o acionamento da justiça.

Acharam um fio de cabelo dele na cena do crime. Era um dos 123 suspeitos pela morte do cabeleireiro.

Gabava-se de que era mulher de um homem só. Apenas não contava que o marido matava todos os amantes.

Leu dezenas de livros da Agatha Christie. Aprendeu tudo sobre teoria do crime. Era hora de praticar.

Levava com honra no peito o brasão do seu time. Levou com agonia no peito um tiro do torcedor rival.

Entrou armado no banco. Levaria todo o sangue ainda na madrugada ou queimaria no amanhecer tentando.